Observatório Educacional

Formação de Professores Formadores: uma proposta baseada na metodologia por Projetos de Trabalho no Curso de Pedagogia/UNIFESO - Gisela Guedes Duarte Silva de Oliveira

As inquietações em relação à formação inicial e também continuada de professores na contemporaneidade decorrem de um cenário específico em que discutimos as novas exigências da escola para o século XXI e os desafios do ensino superior em um contexto de profundas transformações das condições sociais e políticas da sociedade. Desta forma, estas questões revestem-se de importância para mim como pesquisadora em função de minha trajetória profissional, primeiro como aluna do Curso de Pedagogia/UNIFESO em 1998 e como docente com experiência na rede pública e particular de ensino do município de Teresópolis/RJ. Como professora da educação básica, orientadora pedagógica e  integrante da equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação – SME - de Teresópolis, no período de 2012 a 2015, conhecendo de perto a realidade educacional de ensino do município, que, em diversos momentos, revelou fragilidades e avanços em relação à formação de professores, fiquei mobilizada pelo interesse em pesquisar a formação inicial desse profissional e, principalmente, buscando conhecer quem são os sujeitos formadores dos futuros professores.
 
Dentro desse contexto, tive a oportunidade, no período de outubro de 2016 a março de 2017, fazer minha pesquisa para o curso de Mestrado em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica de Petrópolis analisando como acontece a formação continuada dos professores formadores do Curso de Pedagogia/UNIFESO. Esta se apoia nos princípios da articulação entre teoria e prática, da participação dos docentes e discentes em um processo mútuo de troca de experiências e saberes, promovendo uma mudança na maneira de pensar e repensar a formação de professores e o currículo na prática pedagógica.

Quem quer ser Professor levanta a mão! - Mônica de Souza Corrêa

A minha curiosidade neste questionamento: Quem quer ser Professor levanta a mão! ocorreu em uma roda de conversa com dez alunos do Ensino Médio. Ao perguntar aos estudantes quem vai fazer, por primeira opção de vestibular, alguma carreira na área de licenciatura como: História, Geografia, Pedagogia... espantei-me, pois somente um aluno ergueu a mão.  Mas todos tinham em comum o desejo de cursar o ensino superior, embora nem todos tenham se decidido pela carreira que querem seguir. E ainda outros estavam com dúvidas, tensões e dilemas sobre o que desejam ser profissionalmente. 
 
Mas ter dúvida não é ruim. Questionar e aprender a ler a própria realidade é construir uma opinião, é ter pensamento crítico. A dúvida faz parte da vida. 
 
Nesta conversa vi uma oportunidade de falar do meu orgulho, prazer e felicidade em ser professora do curso de graduação em Pedagogia do UNIFESO. E ao mesmo tempo estava refletindo sobre minha prática e meu compromisso com a profissão que escolhi. Isso porque considero de grande responsabilidade o que faço. E naquele momento estava lançando uma “semente” na conversa com aqueles jovens cheios de esperanças, dúvidas, expectativas e entusiasmo como se estivesse em solo fértil, onde deveria semear as melhores sementes. 
 
Quando eu falo que a profissão docente é importante, me refiro ao educador como um profissional comprometido, um “operário do conhecimento” que constrói o saber com o outro e para o outro.  
 
Como aprender a ser um “operário do conhecimento” se poucos desejam ser professores? Aprender a ensinar?

Crianças superdotadas: mitos e verdades - Maria Terezinha Espinosa de Oliveira

O pensamento popular em relação às crianças superdotadas está fortemente enraizado em estereótipos muitas vezes errôneos. Imagina-se aquela criança de classe média alta, com ótimos resultados na escola e que se destaca com um potencial promissor.  Isso é um mito! Nos últimos anos em muitos países a atenção para os estudantes talentosos tem crescido significativamente. A sociedade do conhecimento e o grande desenvolvimento tecnológico das últimas décadas ampliou o interesse por uma nova riqueza relacionada ao capital intelectual. Com isso programas dedicados às pessoas talentosas estão sendo criados levando-se em conta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que em média 5% da população tem algum tipo de superdotação. 
 
A superdotação ainda é vista como algo raro e muitos se espantam diante de uma criança ou adolescente diagnosticada como superdotada. Na verdade, os superdotados estão em diferentes culturas, etnias, sexo e classes sociais. Estudiosos afirmam que o conhecimento sobre as pessoas com altas habilidades/superdotação está impregnado de mitos, dos quais pretendo aqui apresentar alguns para a reflexão do leitor(a).
 
Um deles refere-se ao uso dos termos superdotado e gênio como sinônimos. A característica do gênio está relacionada aos casos de indivíduos que tenham dado contribuições originais e de valor para a sociedade na área científica ou artística. Por exemplo Mozart e Leonardo da Vinci. A criatividade do gênio pode levar à quebra de paradigmas ou a estabelecer novos conceitos. Já o superdotado tem um potencial, e demonstra um contínuo em termos de habilidades em alguma área, superior à média.

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Tutor ou Professor?
Campista Cabral *

 

Tutor ou professor? Professor ou tutor?

Muito se tem discutido, em razão da grande revolução promovida pela tecnologia digital, a respeito do papel do professor na sociedade midiática do século XXI. Que espécie de profissional seria hoje o professor? A partir desta pergunta, tem-se outro questionamento: o tutor seria esse novo profissional? Sim e não!

Na verdade, o professor teria muito mais características do que antes. Ser múltiplo e dinâmico, ser observador e paciente, ser provocador, interagindo e intervindo quando necessário. O que significa dizer que este profissional possui um papel ainda mais complexo do que foi há algumas décadas atrás!

Por esta razão, pensar que tutor e professor são coisas diferentes não é o caminho.

De acarajés no cerro ao silêncio dos cidadãos - Ana Maria Gomes de Almeida

Instigados por saber como os cidadãos de Teresópolis lidam com a prática da corrupção, professores e estudantes dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Direito do UNIFESO fizeram uma rápida enquete aos frequentadores da última FEPRO.

Dentre os 1178 respondentes, 95% responderam que se sentem atingidos pela corrupção e 80% se declararam dispostos a denunciar casos de corrupção.

Significativo e alentador resultado. Você não acha, leitor?

Pois é... mas fiquei instigada em saber os motivos alegados pelos 20% que afirmaram que não denunciariam.

Novo ano letivo, bem-vindas disciplinas semipresenciais - Carmem Quintana

Você nem bem iniciou sua vida como universitário ou apenas sonha em um dia chegar lá e já ouve nomes bem estranhos: aprendizagem ubíqua, disciplina semipresencial, netiqueta, linguagem dialógica... O que é isso? Afinal você sempre procurou um curso presencial e espera uma sala de aula convencional com um professor lá na frente explicando os conteúdos. Acredita  até que exista um pouco de novidade no ensino superior, mas... que mudanças são essas? 

Várias, meu caro (futuro) universitário. Vamos começar pela mais esquisita: aprendizagem ubíqua. O nome é estranho, mas seu significado diz muito, pois ubíquo é aquilo que está ou pode estar em toda parte, ao mesmo tempo. Começou a fazer sentido? 

Que tal um exemplo? São ubíquas as redes de dados que integram sinais de Internet, TV, rádio e vários dispositivos móveis.  Até aí tudo bem, mas e a vida universitária? Por que agora você aprenderá assim?

Cultura afro-indígena: é preciso conhecer e respeitar! - Ronaldo Sávio Paes Alves

Mais uma vez, uma figura pública é vítima de racismo. Agora foi o jogador Neymar, hostilizado em campo no último dia 2. Antes disso, outros ilustres jogadores viveram o mesmo constrangimento. Mas isso não acontece só nos esportes, e somente na Europa. Constantemente, cenas de preconceito dos mais variados tipos ocorrem em todo Brasil, principalmente nas redes sociais.

O racismo é uma “chaga histórica”. Resultado da criação de uma sociedade imposta pelo invasor europeu, sobre os nativos, e estruturada com mão-de-obra escrava negra africana. Isto as aulas de História nos ensinaram. Mas o que se percebe daí por diante, é a reprodução de uma relação onde “uns poucos se acham superiores a tantos outros”, e a ideia de inferioridade de negros e índios. Este erro conceitual na sociedade faz aumentar uma clivagem baseada na injustiça, na falta de oportunidades, e na violência, seja ela física, das palavras ou de “brincadeiras”.

Todos nós conhecemos um sem-número de grosseiras piadas racistas, preconceituosas, e que agridem também outras “minorias”. Na mesma proporção, encontramos aqueles que alegam: “Antigamente se brincava com isso, e era tudo brincadeira!”. Ok! Mas agora a brincadeira perdeu a graça, se é que um dia teve! Será que as pessoas das tais piadas achavam graça? Ou se sujeitavam a esta condição, sem forças para reagir?

Numa espécie de “regressão social”, este estado de coisas deixou o campo da “brincadeira” e passou para a violência de fato! Será que a menina vítima da intolerância religiosa no Rio de Janeiro, no ano passado, achou normal ser apedrejada por um grupo de fanáticos religiosos?

A literatura na escola - Gicele Faissal de Carvalho

Era uma vez... a leitura na escola.

Ler o mundo, ler à sua volta, ler o anúncio, a loja, o panfleto.

Ler a música, a imagem, a poesia, a história.

Ah! Quem não gosta de ouvir histórias...

Histórias são verdades que se encontram na memória de cada um de nós.

 

A identificação de cada tema quase sempre vem ao encontro da história de vida do leitor. Algumas histórias trazem emoções importantes como a tristeza, a raiva, o bem estar, o medo, a alegria, a insegurança, a tranquilidade e tantas outras mais que possibilitam o desatar de nós do mundo real, naturalizando o mundo irreal.

Crise hídrica: momento de repensarmos hábitos e valores - Luiz Antônio de Souza Pereira*

Desde o final do ano passado os meios de comunicação noticiam todos os dias informações sobre a crise hídrica que se instalou na capital e região metropolitana de São Paulo. A principal justificativa do poder público para a crise é a pouca chuva registrada. O argumento é o mesmo utilizado durante a crise energética de 2001/2002, assim como as medidas adotadas para reduzir o consumo. O bolso do usuário é penalizado, caso não reduza o consumo e iniciam-se campanhas com o objetivo de incentivar a população a reduzir o consumo e o desperdício.

Apesar dos inconvenientes, os momentos de crise nos possibilitam e até mesmo nos forçam a sairmos da nossa zona de conforto face aos problemas iminentes. O brasileiro saiu da crise energética mais consciente em relação ao uso da energia elétrica. Desligar lâmpadas e aparelhos tornaram-se hábitos mais frequentes, assim como a preferência por lâmpadas e aparelhos mais econômicos.

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Ser pedagogo é uma arte: a arte de ensinar

Mônica Corrêa *

 

Foi-se o tempo em que as crianças quando perguntadas sobre seu sonho de profissão futura diziam: quero ser professor! Por que isso mudou? Será que ser professor hoje em dia é lidar com desrespeito, desatenção, desacato?

Na atualidade devemos ser um artista na vida e na profissão. Um sujeito que vê, sente, realiza e ouve. Olavo Bilac, num de seus poemas diz: “Então, para ser artista é necessário desenvolver o sentir, a visão, o olhar ou o ouvir... Ser capaz de ver e ouvir as estrelas”. Ser professor é ser um artista e entrar em cena no cotidiano de nossas crianças e jovens, no palco do conhecimento, saber postar a voz, sintonizá-la na frequência certa de seus alunos, criar carismas fascinantes na intenção incansável de sinalizar saberes, valores e atenção aos ensinamentos. O professor forma e informa. É capaz de transformar uma sociedade no sentido mais nobre do educar, certo que colherá frutos no futuro, pois é ator na arte de ensinar. Todos nascemos artistas. Difícil é manter-se artista durante a vida.

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