Economia e Criminalidade em Teresópolis - Roberta Montello Amaral

Não é novidade nenhuma que nossa cidade tem índices de criminalidade bem menores do que os da capital do Estado.  Segundo notícia veiculada em junho deste ano no site G1, Teresópolis é a cidade mais pacífica do estado e a 10ª do país.  Estudos acadêmicos também confirmam essa condição.  Recentemente realizei uma investigação com apoio do UNIFESO, que será apresentada em um Congresso, e que conclui que Teresópolis ainda possui uma situação confortável no que diz respeito à segurança pública, mas é possível que, se não houver foco no combate às intercorrências relativas a estelionato, apreensão de drogas, lesão corporal e ameaças, num espaço de tempo relativamente curto estas ocorrências podem crescer e passar a representar um problema para o Município.  Mas será que isso é fruto do acaso?  O que será que acontece em Teresópolis e nas demais cidades da região serrana (Petrópolis e Nova Friburgo ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, no Estado do RJ) que nos tornam privilegiados em relação a este quesito? Será que este cenário também está ligado a questões econômicas?  Foi o que resolvi investigar nesta semana.
 
Já não é novidade que coordeno a realização da pesquisa de preços IPC-FESO, o índice de preços ao consumidor de Teresópolis, feita com a ajuda dos alunos de Administração e Ciências Contábeis do UNIFESO.  Será que este indicador pode ter alguma relação com os indicadores de criminalidade de nossa cidade? Também não é novidade que nosso País está em meio a uma crise econômica e que ela tem gerado aumento na criminalidade.  Resolvi, então, averiguar o comportamento conjunto dessas duas medidas.  Na Figura abaixo é apresentada a evolução mensal de alguns indicadores escolhidos.

 
Para aprofundar essa investigação, resolvi calcular a trajetória do comportamento da correlação entre o IPC-FESO e as comunicações da 110ª DP de Teresópolis com relação a comunicação de ocorrências de estelionato, apreensão de drogas, ameaças e lesão corporal (incluindo lesões culposas e dolosas).  A correlação é uma medida estatística calculada para um par de variáveis e mede a relação linear entre elas.  É um valor que varia entre -1 e 1, sendo que, quanto mais próxima de 1, mais perfeita é a semelhança, mais exata é a relação (um indicador sobe e o outro sobe na mesma proporção).  A Figura a seguir mostra a correlação entre o IPC-FESO e cada um dos demais indicadores do gráfico anterior.
 
 
O que se pode ver é que a correlação, de modo geral, parece estar caindo ao longo do tempo, pelo menos em Teresópolis.  Isso significa que, no passado, a variação da inflação tinha maior repercussão sobre estas comunicações, mas isso vem se alterando ao longo do tempo.  Isso pode ser um comportamento até certo ponto considerado espúrio, atípico, pois não é o que se espera encontrar.  Isso confirma que, em Teresópolis, a segurança pública parece ter um comportamento diferente da maioria das cidades do Estado, principalmente aquelas mais próximas à capital.
 
Outro ponto que se nota no gráfico é que a maior correlação entre o IPC-FESO e as comunicações da 110ª DP é para o crime de ameaça, crime relativamente mais ameno, se é possível classificá-lo desta forma.
 
Bom, o que esta investigação aponta é que, pelo menos nesse aspecto, nosso Município encontra-se privilegiado.  Cabe a nós cobrar das autoridades que mantenham esse desempenho e que não sejamos contaminados pelos efeitos mais perversos que uma crise econômica pode trazer.  Principalmente esta que, contrariando a imagem que o Governo deseja passar, a meu ver, está longe de ser superada!
 
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* Roberta Montello Amaral é economista, doutora em engenharia de produção e professora dos cursos de Administração e Ciências Contábeis do UNIFESO. E-mail: ramaral@unifeso.edu.br.