Quem quer ser Professor levanta a mão! - Mônica de Souza Corrêa

A minha curiosidade neste questionamento: Quem quer ser Professor levanta a mão! ocorreu em uma roda de conversa com dez alunos do Ensino Médio. Ao perguntar aos estudantes quem vai fazer, por primeira opção de vestibular, alguma carreira na área de licenciatura como: História, Geografia, Pedagogia... espantei-me, pois somente um aluno ergueu a mão.  Mas todos tinham em comum o desejo de cursar o ensino superior, embora nem todos tenham se decidido pela carreira que querem seguir. E ainda outros estavam com dúvidas, tensões e dilemas sobre o que desejam ser profissionalmente. 
 
Mas ter dúvida não é ruim. Questionar e aprender a ler a própria realidade é construir uma opinião, é ter pensamento crítico. A dúvida faz parte da vida. 
 
Nesta conversa vi uma oportunidade de falar do meu orgulho, prazer e felicidade em ser professora do curso de graduação em Pedagogia do UNIFESO. E ao mesmo tempo estava refletindo sobre minha prática e meu compromisso com a profissão que escolhi. Isso porque considero de grande responsabilidade o que faço. E naquele momento estava lançando uma “semente” na conversa com aqueles jovens cheios de esperanças, dúvidas, expectativas e entusiasmo como se estivesse em solo fértil, onde deveria semear as melhores sementes. 
 
Quando eu falo que a profissão docente é importante, me refiro ao educador como um profissional comprometido, um “operário do conhecimento” que constrói o saber com o outro e para o outro.  
 
Como aprender a ser um “operário do conhecimento” se poucos desejam ser professores? Aprender a ensinar?

Dados recentes da Fundação Carlos Chagas (FCC) revelam que apenas 9% dos estudantes fazem por primeira opção de vestibular cursos de licenciaturas. Os números comprovam as falas dos jovens naquela roda de conversa. Confirma-se que os jovens rejeitam a profissão docente e poucos pais desejam que seus filhos sejam professores.
 
Ora mas sem a profissão de professor seria impossível conceber a sociedade e sua contínua evolução cultural e científica. Afinal, todas as áreas do conhecimento humano dependem do professor para serem apreendidas com eficácia e colocadas em prática. 
 
Mas como incentivar os jovens? Muitos pensam que esta profissão não dá status, é pouco valorizada e os salários, quase sempre, são baixos. Porém esse pré-conceito precisa ser problematizado.
 
Ser professor é enfrentar desafios diários. É verdade. Principalmente no contexto da sociedade na era tecnológica.
 
Acreditem, ser professor é uma profissão muito gratificante. Não é fácil abraçar a docência. Aquele professor que acredita naquilo que faz consegue despertar o potencial de seu aluno. Não age para reprimi-lo. Consegue elogiar o esforço de seus alunos ao invés de ignorá-lo. E, certamente, é capaz de ajudar seus alunos a descobrirem suas potencialidades.
 
Retomando ao meu questionamento inicial: Quem quer ser Professor levanta a mão! Levantem a mão! Acreditem: educar é uma missão que guarda em si um mundo repleto de possibilidades. A nobreza do magistério reside justamente na capacidade de transmitir aos aprendizes a beleza e a grandiosidade dessa magnífica experiência que é a vida.
 
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*Mônica de Souza Corrêa é pedagoga, mestre em Educação e professora do curso de Pedagogia do UNIFESO. E-mail: monicacorreajr@yahoo.com.br