Sexualidade infantil: professores em “saia justa” - Cristina Grigorowsky Botelho

A demanda imposta aos professores nos dias de hoje exige conhecimento e flexibilidade em função das transformações sociais. A sexualidade das crianças é um assunto que vem à baila com frequência na sala dos professores.
 
O estímulo da mídia à erotização acaba por aumentar a curiosidade infantil sobre o tema. Quando se trata do segmento da Educação Infantil, então, a preocupação dos docentes é enorme: Como responder aos pequenos? Eles estão preparados? Conseguirão entender um assunto tão delicado?
 
O professor precisa se preocupar em estar pronto para responder as perguntas dos seus alunos com uma postura de aceitação da sexualidade como natural ao ser humano, passível de curiosidade como qualquer outro assunto. 
 
Os adultos complicam e se atrapalham na explicação julgando que a criança deseja saber aspectos eróticos da sexualidade, quando, em sua maioria, os pequenos desejam saber apenas aspectos simples:  de que maneira ocorreu seu nascimento, a diferença entre meninos e meninas, por exemplo.

Preto no branco - Roberta Montello Amaral

Hoje de manhã, assisti a uma reportagem sobre a queda no preço dos alimentos nos últimos meses, principalmente do feijão e da batata. Logo lembrei de duas músicas que cantarolei ao longo do dia e que me inspiraram a escrever esse artigo, agora que estou sentando para terminar esta tarefa: Caviar, do Zeca Pagodinho e Arroz com feijão, do Reginaldo Rossi.
 
Bom, para quem não conhece a música do Zeca, ela diz: “Caviar é comida de rico curioso fico, só sei que se come/Na mesa de poucos fartura adoidado/Mas se olha pro lado depara com a fome/Sou mais ovo frito, farofa e torresmo/Pois na minha casa é o que mais se consome.”  Reginaldo, por sua vez, canta: “E se seu dinheiro não dá/Pra gosta (sic) de caviar/Que tal arroz com feijão”. Como na minha casa não temos o hábito de comprar caviar, não posso fazer um estudo sobre o comportamento do seu preço. Então fiquemos mais próximos do prato típico brasileiro (tal e qual o apresentado na reportagem do jornal): arroz, feijão, bife, batata e salada.

Programas de integridade (compliance) nas empresas: custo ou oportunidade? - Caroline da Rosa Pinheiro

Os programas de integridade ou compliance, como são comumente denominados, são exigidos expressamente no Brasil desde a entrada em vigor da Lei nº 12.846/2013, mais conhecida como “Lei Anticorrupção”. A norma se baseia na premissa de que é necessário criar mecanismos para promover a sustentabilidade das instituições, na medida em que a promoção da ética e da integridade como conduta organizacional resulta em uma menor exposição à ocorrência de atos de corrupção.
 
No âmbito corporativo, matéria objeto deste artigo, programa de integridade significa o conjunto de mecanismos para fazer a empresa cumprir as normas, regulamentos, políticas e diretrizes estabelecidas para o negócio, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer, especialmente na relação entre a Administração Pública e o setor privado.
 
Enquanto tendência que vem sendo aperfeiçoada em âmbito nacional, o compliance tem o objetivo de melhorar a governança coorporativa, implementando padrões éticos à conduta das empresas, o que contribui para um ambiente de negócios mais íntegro e coerente com parâmetros mínimos que devem pautar as relações negociais.

O novo código de processo civil e a gratuidade da justiça - Fernando Rangel Alvarez dos Santos

O contexto histórico da democracia e dos direitos fundamentais vem, mesmo que a duras penas, avançando no Brasil. No processo civil, buscando dar acesso mais amplo à sociedade brasileira, foram introduzidas no novo Código diferentes possibilidades de gratuidade de justiça. É possível destacar as seguintes inovações:
 
1) a extensão do direito para as pessoas jurídicas desde que não disponham de recursos para pagar as custas e despesas processuais;
 
2) a possibilidade de ser concedida para algum ou alguns atos específicos como, por exemplo, a gratuidade concedida apenas para a elaboração de uma perícia;
 
3) a possibilidade de redução de percentual das despesas processuais;
 
4) a inclusão das despesas de exame de código genético – DNA ou outros exames que se fizerem necessários;
 
5) a possibilidade de parcelamento de despesas processuais.
 
Outras questões, controvertidas no passado, também foram dispostas no novo Código como, por exemplo: a assistência de um advogado particular, por si só, não impede a concessão da gratuidade de justiça. Outra inovação importante é a possibilidade de o pedido poder ser formulado em momento posterior à inicial ou à contestação.

O papel do Contador no auxílio ao novo empreendedor - Bruno Eduardo de Oliveira

Quando nasce um empreendedor visionário, nasce também com ele a necessidade de gerir o seu próprio negócio. Em muitos casos, só é dada a devida importância a essa gestão quando o novo e ainda motivado empreendedor começa a ter dificuldades em conseguir conciliar questões comerciais, como vendas, estoque, propaganda, questões administrativas, como contratação de funcionários, impostos, contabilidade e, eventualmente, até em pagar em dia as contas da sua empresa.
 
Via de regra aqueles que ainda sonham ou um dia sonharam, e hoje já conseguiram tornar realidade a grande conquista de ter o próprio negócio, devem ter na elaboração do seu plano de negócio a sua bússola, ou num termo mais atual, o seu GPS, para poder se guiar pelo mar do empreendedorismo. Para isso, sem dúvida, o plano de negócio é o instrumento indispensável para quem pensa em se tornar o seu próprio patrão. Ele deve prever os principais pontos a serem considerados para o desenvolvimento do empreendimento, quais sejam a descrição da empresa e seus objetivos, a análise do mercado, o público-alvo, o planejamento estratégico, os produtos e serviços, o plano de marketing, o plano financeiro, entre outros.

Breve reflexão sobre dois aspectos da reforma trabalhista: fim da contribuição sindical obrigatória e criação do contrato de trabalho intermitente - Lucas Baffi

Entre polêmicas e discussões envolvendo a matéria, foi sancionada, após aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a Lei 13.467 de 2017, intitulada como "reforma trabalhista".
 
Sem adentrar na crise política enfrentada nos últimos meses, a coluna deste mês propõe a reflexão acerca de algumas mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista, que entrarão em vigor 11/11/2017, na qual destacamos dois pontos causadores de maior discussão, não só na comunidade jurídica, mas também na sociedade em geral, a saber: o fim da contribuição sindical obrigatória (antigo imposto sindical) e a criação do trabalho intermitente. Outros temas importantes da reforma não serão abordados no presente artigo.
 
O texto aprovado divide opiniões. Sobre o fim da contribuição sindical, os que reprovam tal medida alegam que a supressão dela foi um ataque aos sindicatos e aos trabalhadores, enfraquecendo a atuação das entidades de representação. Por outro lado, os defensores dessa medida argumentam que o fim da obrigatoriedade da contribuição trará maior preocupação aos sindicatos em melhorar a sua atuação na defesa da categoria que representa. Além disso, defendem que o suposto ataque do governo foi direcionado aos sindicatos de fachada, que somente recebem a verba e não atuam efetivamente na defesa dos interesses da categoria. 
 
Assim como em todos os pontos da mudança, devemos analisar o fim desta contribuição com certa prudência. Ao mesmo tempo que a reforma aprovada previu a sua extinção, ampliou e reforçou a negociação coletiva, prevendo, inclusive, a prevalência do que foi negociado em detrimento do previsto em lei no tocante a algumas matérias (art. 611-A da Lei 13.467/2017). Em outros termos, se por um lado a reforma trabalhista enfraqueceu o sindicato com o corte de parte de sua renda, reforçou a sua atuação no âmbito da sua principal atividade: a negociação coletiva (acordo e convenção coletiva).

A importância das empresas familiares no Brasil e seu peculiar processo de sucessão: uma breve reflexão - Priscila Pereira Fernandes

Infelizmente, no Brasil, não temos uma cultura empreendedora. O colonialismo escravocrata foi abolido, mas seu legado maléfico perdura na sociedade ainda nos dias de hoje. Acaba que nosso maior incentivo ao empreendedorismo vem das crises econômicas que o país enfrenta. Isso mesmo! Nosso empreendedorismo vem da necessidade e não da educação! O indivíduo perde o emprego na crise e faz um bolo para vender e sobreviver, o negócio cresce e ele monta sua loja de bolos. Esse é o perfil do nosso empreendedor. Como consequência, a maioria das pequenas empresas fecham antes do seu terceiro ano de vida. E as que sobrevivem pela habilidade inata do empreendedor terão no momento da sucessão um grande desafio. É nesse momento da empresa que focaremos nossa reflexão, dado que as empresas familiares brasileiras correspondem a 90% das empresas brasileiras, 20% do Produto Interno Bruto – PIB e 70% da geração de emprego no país.
 
Segundo J.B.Lodi, o ciclo de vida das empresas familiares constitui-se de 4 fases: fundação, crescimento, apogeu e declínio. O declínio ocorre no momento da sucessão por vários motivos tais como: falta de planejamento do processo, incompatibilidade de visão entre fundadores e sucessores, despreparo da família para a sucessão, centralização do poder pelo fundador, excesso de herdeiros, rivalidade entre herdeiros, desinteresse dos sucessores pelo negócio.

Economia e Criminalidade em Teresópolis - Roberta Montello Amaral

Não é novidade nenhuma que nossa cidade tem índices de criminalidade bem menores do que os da capital do Estado.  Segundo notícia veiculada em junho deste ano no site G1, Teresópolis é a cidade mais pacífica do estado e a 10ª do país.  Estudos acadêmicos também confirmam essa condição.  Recentemente realizei uma investigação com apoio do UNIFESO, que será apresentada em um Congresso, e que conclui que Teresópolis ainda possui uma situação confortável no que diz respeito à segurança pública, mas é possível que, se não houver foco no combate às intercorrências relativas a estelionato, apreensão de drogas, lesão corporal e ameaças, num espaço de tempo relativamente curto estas ocorrências podem crescer e passar a representar um problema para o Município.  Mas será que isso é fruto do acaso?  O que será que acontece em Teresópolis e nas demais cidades da região serrana (Petrópolis e Nova Friburgo ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, no Estado do RJ) que nos tornam privilegiados em relação a este quesito? Será que este cenário também está ligado a questões econômicas?  Foi o que resolvi investigar nesta semana.
 
Já não é novidade que coordeno a realização da pesquisa de preços IPC-FESO, o índice de preços ao consumidor de Teresópolis, feita com a ajuda dos alunos de Administração e Ciências Contábeis do UNIFESO.  Será que este indicador pode ter alguma relação com os indicadores de criminalidade de nossa cidade? Também não é novidade que nosso País está em meio a uma crise econômica e que ela tem gerado aumento na criminalidade.  Resolvi, então, averiguar o comportamento conjunto dessas duas medidas.  Na Figura abaixo é apresentada a evolução mensal de alguns indicadores escolhidos.

Formação de Professores Formadores: uma proposta baseada na metodologia por Projetos de Trabalho no Curso de Pedagogia/UNIFESO - Gisela Guedes Duarte Silva de Oliveira

As inquietações em relação à formação inicial e também continuada de professores na contemporaneidade decorrem de um cenário específico em que discutimos as novas exigências da escola para o século XXI e os desafios do ensino superior em um contexto de profundas transformações das condições sociais e políticas da sociedade. Desta forma, estas questões revestem-se de importância para mim como pesquisadora em função de minha trajetória profissional, primeiro como aluna do Curso de Pedagogia/UNIFESO em 1998 e como docente com experiência na rede pública e particular de ensino do município de Teresópolis/RJ. Como professora da educação básica, orientadora pedagógica e  integrante da equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação – SME - de Teresópolis, no período de 2012 a 2015, conhecendo de perto a realidade educacional de ensino do município, que, em diversos momentos, revelou fragilidades e avanços em relação à formação de professores, fiquei mobilizada pelo interesse em pesquisar a formação inicial desse profissional e, principalmente, buscando conhecer quem são os sujeitos formadores dos futuros professores.
 
Dentro desse contexto, tive a oportunidade, no período de outubro de 2016 a março de 2017, fazer minha pesquisa para o curso de Mestrado em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica de Petrópolis analisando como acontece a formação continuada dos professores formadores do Curso de Pedagogia/UNIFESO. Esta se apoia nos princípios da articulação entre teoria e prática, da participação dos docentes e discentes em um processo mútuo de troca de experiências e saberes, promovendo uma mudança na maneira de pensar e repensar a formação de professores e o currículo na prática pedagógica.

Papel de seda na janela - Carmem Lucia Quintana Pinto

A lembrança do papel de seda, vermelho, em formato de flor, casa, nuvem e tudo o que a memória insiste em reproduzir - talvez criar - veio através de uma aluna do primeiro período do curso de Ciências Contábeis do UNIFESO. 
 
Contou, com voz embriagada por uma doce e nostálgica felicidade, que o que lhe ficara da longínqua pátria onde estudara as primeiras letras fora uma janela que se abria para um céu quase sempre cinzento, em cuja vidraça os alunos colavam imagens vermelhas recortadas em folhas de papel de seda. 
 
Sua recordação bailava entre crianças que se sentavam no chão para recortar figuras no vermelho, odores das carteiras de madeira, frio do tapete de borracha e desejo da luz no vermelho. Sensações que misturavam vozes, cinzas, galhos de árvore, risos baixos, pedaços de vermelho, raios de sol, tesoura fria.
 
Tudo contou, com brilho nos negros olhos de vinte e poucos anos, enfatizando que recortar o papel era antecipar o prazer da janela decorada contra o céu cinzento do inverno à espera da luz fraca do sol, milagre capaz de dar vida à figura. 
 
Percorri os caminhos de sua imaginação e, quando ela se calou, perguntei-lhe por que todas as crianças recortavam papéis vermelhos e por que eles só eram colados nas janelas. Ela me respondeu que assim ficava tão bonito que era impossível esquecer. Só isto: tão bonito que sempre se repetia, a cada ano, num processo de renovar-se para não deixar esquecer. 
 
A lembrança assaltou-me neste inverno que se inicia e se mesclou às matrizes do pensamento e da linguagem, objeto de trabalho de quem envereda pelos caminhos da Comunicação. 
 
Como produzir presença em momentos em que a comunicação não se faz face a face? Como aquecer a comunicação quando a distância física e temporal cada vez mais se faz presente? Como, enfim, entender que smartfhones roubam a cena e a atenção até de grupos que se encontram reunidos na praça de alimentação de um shopping?

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